sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Otto Stupakoff, fotógrafo, no Instituto Moreira Salles

Fomos ao Instituto Moreira Salles, na exposição do fotógrafo brasileiro Otto Stupakoff.

Otto nasceu em São Paulo em 1935. Faleceu neste ano, em 22 de abril.

A exposição, que primeiro passou palo IMS do Rio de Janeiro, foi aberta 2 meses antes de sua morte, e reúne 70 fotos icônicas do fotógrafo.

As fotografias expostas foram tiradas dos anos 1950 aos anos 1990. Há fotografias de moda - Otto Stupakoff foi o pioneiro da fotografia de moda no Brasil-, fotografias de viagens, e também retratos de pessoas famosas.

Há apenas uma foto colorida, todas as outras são PB. Das 70 fotos, apenas uma única não retrata pessoas. É uma imagem, curiosamente, da Faap. Trata-se de uma fotografia de 1961, em que o fotógrafo retrata uma parede - provavelmente um ateliê-, em que há uma interessante composição com objetos de diversas área das artes. Instrumentos musicais, sapatilha de bailarina, objetos para pintura.

As fotografias de moda são bastante ousadas e interessantes, e flertam com o surrealismo, brincam com o improvável. Há uma série, por exemplo, em que a modelo é fotografada posando diante de um macaco no zoológico (há um vidro que separa a modelo do animal).



O nú feminino também está presente em muitas fotografias, e é interessante a forma como Otto Stupakoff trabalha com a luz no PB. Nas fotos de nus, a luminosidade entra sempre por janelas, e Otto trabalha muito bem com essa luz natural, e na composição que faz entre claro/escuro no corpo feminino.

Nos impressionou os retratos de pessoas famosas. É possível notar que Otto consegue captar aquilo que Barthes chama, em "A Câmara Clara", de punctum. Essas fotografias, como a de Tom Jobim (abaixo), Wesley Duke Lee, Jack Nicholson ou Trumman Capote, chamam a atenção pela maneira como aquelas pessoas parecem 'vivas'. É como se o olhar dessas pessoas tivesse profundidade, como se o olhar dissesse alguma coisa. A fotografia consegue nos passar o ar, o ambiente em que aquela pessoa foi fotografada.




Essa intimidade com o outro também aparece em fotografias de desconhecidos, como a menina cigana com um cigarro na boca, que é de uma beleza indescritível.


Nenhum de nós conhecia o fotógrafo, e nos impressionamos com a qualidade das fotografias. A criatividade e o inusitado nas fotografias de moda. A beleza e profundidade dos retratos. O nu e a sensualidade apresentado de uma mameira diferente do que estamos acostumados.
As fotografias que dizem.
Como o menino no canto da parede, de costas para a fotografia, pequeno naquele espaço que ele não quer ver, ou de que ele se culpa. Ou será que era uma simples brincadeira de esconde-esconde?







Grupo: Alice Fanny Riff, Nicholas Gobbo, Tomás Pirró, Victor Parente

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